domingo, 25 de agosto de 2013

As abenturas do Bítór

Gosto de aldeias. Gosto de cidades.
Não gosto quando as aldeias se transformam em cidades e quando as cidades se transformam em aldeias. Sobretudo pelas alterações idiossincráticas que se tornam visíveis. E é o que que acontece no mês de Agosto. As aldeias enchem-se de quem de lá outrora partiu em busca de melhor (lá fora e cá dentro), chegam os ouros e as pratas a gangrenar os pescoços, pulsos e dedos, as voitures com seis vitesses e outras choses cujo brilho necessariamente terá de ofuscar quem as olha. Nas casas tipo maison com janelas tipo fenêtres, fechadas durante quase todo o ano, desempoeiram-se as fotografias do passado e toda a parafernália de dispositifs fica à vista dos convidados que desde cedo, pela manhã, entram no frenesim alcoólico de um mês.
Mas não é dessa realidade que quero curar. É da outra. Das cidades que se transformam em aldeias. Como esta. Como a minha.
Aqui no bairro tudo fechou. Apenas a padaria/pastelaria e um café atascado permanecem abertos. E eu, que por força do que e de quem me quer destruir, por obrigação, aqui tenho que permanecer durante o mês de Agosto. Como quem não tem mais para onde olhar nem ouvir, comecei a levar o meu livro para o menos mau. A padaria. Tem uma esplanada inclinada que o passeio não se compadece de tentativas de normalidade literária.
Ao terceiro dia desisti de levar o livro. Levei o meu bloco de notas de papel kraft (o cheiro e a textura desde sempre me deixaram loucos) e comecei a tomar notas. Na mesa ao lado, quotidianamente, independentemente da hora, a mesma figura sentada, a aviar cerveja em doses de promessa, e o discurso, esse, cada vez mais fascinante, intrigante e ridículo.
Dessas notas, sairão nos próximos dias "As aventuras do Bítór", que pelo que percebi é irmão desta criatura de sexo feminino que quando se levanta da cadeira da esplanada (oito, dez horas depois de se lá sentar?) deixa que se respirem os fungos que ela própria lá criou.

Mesdames et Messieurs,

Ladies and Gentlemen,

Meine Damen und Herren,

Señoras y Señores,

Signore e Signori ,

"As  abenturas do Bítór", já a partir do próximo post.

3 comentários:

  1. Pedimos desculpa mas é apenas para divulgar. Um casal, a crise, poupanças e histórias de quem vive a crise como muitos outros, mas onde a poupança é o melhor remédio. Pode passar a mensagem…? Obrigado!

    http://ocarteiravazia.blogspot.com/

    ResponderEliminar
  2. Gosto muito de te ver regressar! :)
    À espera dos próximos capítulos. :)

    ResponderEliminar